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IMHO: Toda Mafalda

terça-feira, 2 de setembro de 2008


Tenho que falar a verdade: a primeira vez que eu vi Toda Mafalda, eu me senti intimidado. Intimidado pelo tamanho da obra, com suas 420 páginas, e por tudo o que eu esperava encontrar ali dentro. Imaginei que iria demorar pelo menos 1 mês pra terminar de ler aquilo tudo. Uma semana depois, eu estava re-lendo todas as tirinhas já publicadas da pequena, cabeçuda, gordinha e argentina personagem de Quino.


Nas 5 primeiras páginas você encontra uma entrevista (assinada por Maruja Torres) com o tímido e pacato Quino, e nas duas próximas páginas é colocada uma pequena cronologia com tudo o que o autor passou até a publicação dos primeiros livros dele no Brasil. Com um humor próprio e característico, os personagens de Quino tecem críticas afiadas a vários problemas e, em alguns casos, também nos presenteiam com humor gratuito.


Utilizando de certos estereótipos carismáticos, Quino faz críticas que abrangem uma área enorme, que vai desde a influência da TV na sociedade até o Socialismo/Comunismo. Passado algum tempo de leitura, você acaba identificando algumas características dos personagens em pessoas que você conhece, e percebe que apesar do tempo que já passou desde a publicação das tiras o cenário mundial não mudou muita coisa. Não precisa ir muito longe, quem não sabe que a Mafalda é argentina não vê problema nenhum com as críticas, já que as mesmas servem perfeitamente para o nosso Brasil-brunil.


É através de Manolito, filho do dono da mercearia, que o capitalismo é posto em pauta e ferrenhamente criticado, utilizando de pano de fundo as várias crises que a Argentina (HA-HA!) já enfrentou. Miguelito, por sua vez, odeia a escola, e é aqui que o sistema educacional e a visão de uma criança da escola é apresentada ao leitor. Susanita é a personagem que Quino utiliza pra demonstrar a futilidade de algumas mulheres da época, que só tinham como plano de vida constituir uma família e viver em função do seu marido (infelizmente isso não continua até hoj...er..). Enfim, cada um dos personagens de Quino tem seu brilho próprio e um grande teor de 'realidade' imprimido nos mesmos. Um show a parte fica por conta de Mafalda, Guile e os Pais, que fazem parte das melhores tirinhas, seja com crítica social ou só demonstrando a inocência cômica de uma criança (o Guile querendo ver TV olhando no buraco da tomada é impagável).


Fechando o livro, está uma tirinha da Mafalda reproduzindo os 3 macacos (aqueles que toooodo emo/patty tem uma foto no orkut com os amiguxos, tapando a boca, olhos e ouvidos), e é exatamente com essa impressão que você fica ao terminar de ler toda a obra e absorver tudo o que te foi jogado na sua cara. É tão agradável, mas tão agradável, que é bem provável que se você faça como eu fiz, e comece a reler logo depois de passar os olhos pela última página.

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