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IMHO: The Crucible Of Man: Something Wicked Part 2

terça-feira, 18 de novembro de 2008


Sou um fanbitch de Iced Earth. Essa é a verdade, sou um fanbitch de carteirinha dessa banda desde a primeira vez que eu ouvi o 'The Dark Saga' inteiro. Desde então, a relação de amor [/Uzuki] só vinha aumentando a cada álbum que eu ouvia, até que Matt Barlow saiu. Como grande parte do motivo da minha fanbitchisse eram os vocais, eu fiquei com um pé atrás de ouvir o The Glorious Burden, que trazia como vocalista Tim "Ripper" Owens. Mas como Jon Schaffer ainda estava lá, firme e forte, eu resolvi dar uma chance pro ex-Judas-boy e fui ouvir o CD.

Bem, foi como ouvir Doors sem o Morrison. Não que o álbum fosse completamente ruim (apesar da EXTREMAMENTE ENTEDIANTE Gettysburg), mas não era mais o Iced Earth que eu gostava de ouvir, não tinha mais a alma, o mojo, ou whatevá. Simplesmente não me agradou, mesmo sem comparar o Owens com o Barlow (até porque vocalistas diferentes podem fazer álbuns bons numa mesma banda, Iron Maiden que o diga), o álbum não podia nem de longe ser comparado com Somtething Wicked This Way Comes, ou com o fodástico Horror Show. Depois de ouvir o Glorious Burden eu parei de acompanhar Iced Earth, até que foi anunciado que Matt Barlow iria voltar ao posto de vocalista.

Quando comecei a ouvir o The Crucible of Man: Something Wicked Part II eu esperava sentir de volta toda aquela atmosfera épica que Iced Earth carregava nos seus álbuns, fosse com baladas como Ghost of Freedom ou em músicas mais mescladas, como A Question of Heaven... Bem, não é bem isso que o álbum traz. Desde o começo, com o coral de mulheres em "In Sacred Flames", o álbum se mostra tão preso ao seu conceito e storyline que não aparecem músicas que se destacam por si só. Nós não vemos nenhuma A Question of Heaven, Damien ou Dracula aqui, mas sim um álbum com algumas músicas curtas demais, outras que tem partes instrumentais muito grandes, mas nenhuma música que te faça querer ouvi-la umas 10 vezes seguidas, sem se cansar.

Então o álbum é uma bosta, é isso? NÃO! Nossa, nem de longe, não é nenhum Horror Show, mas nem de longe é o St. Anger do Iced Earth! Crucible of Man não tem nenhuma música que seja extremamente marcante, mas não é por isso que não pode ser considerado um disco bom. "A Gift Or A Curse" traz Jon Schaffer acompanhando Barlow nos vocais, e como resultado de um trabalho bem feito nos dá uma baladinha muito gostosa de se ouvir, "Divide and Devour" tem uma levada mais Trash, "Sacred Kingdom" é uma das músicas que mais chega perto do que a banda conseguiu alcançar em Horror Show e, na minha opinião, dividindo o posto de 'melhor música do álbum' estão I Walk Alone (com um refrão MUITO rox, daqueles que ficam na sua cabeça não por serem grudentos, mas por serem fodões.) e os 2 minutos finais da Come What May. "Os 2 minutos finais?", sim, os dois minutos finais! São nesses dois minutos de música que o que mais me chama atenção em Iced Earth aparece bem claramente: Matt Barlow solta completamente a voz, acompanhado de um pequeno solo e riffs de guitarra muito bem colocados e de um coral muito, MUITO bom (vale ressaltar que todos os corais do álbum são, como é de costume da banda, extremamente fodões).

No final das contas The Crucible of Man: Something Wicked Part II consegue ser ao mesmo tempo o A Matter of Life and Death e o Death Magnetic do Iced Earth, em alguns pontos é repetitivo e massante como o AMoLaD (no começo de Harbinger Of Fate, 9ª música do álbum, você tem aquela impressão de 'eu já ouvi isso antes...várias vezes!'), mas ao mesmo tempo te mostra que a banda que fez Horror Show está de volta, o vocal intenso e cativante de Matthew nos deixa com aquela esperança de que no próximo álbum eles vão voltar com tudo o que faz do Iced Earth uma banda que não é Power, Melódico, Heavy ou qualquer coisa do tipo, é simplesmente Iced Earth.

IMHO: Ensaio sobre a Cegueira

quarta-feira, 1 de outubro de 2008


Meh, eu comecei esse post umas quatro vezes querendo fazer um review do filme. Uma delas foi com uma idéia poser de não escrever os nomes dos atores, diretor e tal (copiando o que o próprio Saramago faz no livro), mas não rendeu nada.

O grande problema (além da minha falta de habilidade pra escrever reviews... sabe como é, eu não sou um escritor feito de amor cofcofUzukicofcof) é que tanto o filme, extremamente bem dirigido por Fernando Meirelles, quanto o livro conseguiram chegar no mesmo patamar de excelência: eles dispensam comentários.

A única coisa que eu posso dizer é: vão ao cinema assistir o mais rápido possivel.

Agora uma pequena tentativa de justificar o porquê dessa minha colocação aí em cima: A atuação de Julianne Moore, Danny Glover e Mark Ruffalo conseguem passar exatamente o que José Saramago nos descreve nos livros, assim como a atuação da brasileira Alice Braga, que depois da participação em Eu sou A Lenda se mostrou MUITO competente como a Mulher de Óculos Escuros, entre outros atores e atrizes (conhecidos ou não) que conseguem construir perfeitamente o clima de desespero e angústia que é gradativamente construido no livro. Clima que Fernando Meirelles consegue construir e manter da melhor maneira possível, apesar de não conseguir chegar no nível do que é descrito por Saramago (até porque é praticamente impossível igualar um filme perfeitamente a uma descrição feita em um livro), o que nos deixa tão agoniados ao ponto de começar a desejar que alguém faça alguma coisa, nem que seja um tapa na cara do Rei da Ala 3 só pra ele largar de ser feio.

Mas enfim, como eu disse ali em cima, vão ao cinema assistir. Tendo lendo o livro ou não, isso não importa, como já foi dito: o filme conseguiu atingir o mesmo nível de excêlencia do livro, o que acabou tornando-os obras independentes, mas com o mesmo teor de fodassidade (sic), por assim dizer.


IMHO: Toda Mafalda

terça-feira, 2 de setembro de 2008


Tenho que falar a verdade: a primeira vez que eu vi Toda Mafalda, eu me senti intimidado. Intimidado pelo tamanho da obra, com suas 420 páginas, e por tudo o que eu esperava encontrar ali dentro. Imaginei que iria demorar pelo menos 1 mês pra terminar de ler aquilo tudo. Uma semana depois, eu estava re-lendo todas as tirinhas já publicadas da pequena, cabeçuda, gordinha e argentina personagem de Quino.


Nas 5 primeiras páginas você encontra uma entrevista (assinada por Maruja Torres) com o tímido e pacato Quino, e nas duas próximas páginas é colocada uma pequena cronologia com tudo o que o autor passou até a publicação dos primeiros livros dele no Brasil. Com um humor próprio e característico, os personagens de Quino tecem críticas afiadas a vários problemas e, em alguns casos, também nos presenteiam com humor gratuito.


Utilizando de certos estereótipos carismáticos, Quino faz críticas que abrangem uma área enorme, que vai desde a influência da TV na sociedade até o Socialismo/Comunismo. Passado algum tempo de leitura, você acaba identificando algumas características dos personagens em pessoas que você conhece, e percebe que apesar do tempo que já passou desde a publicação das tiras o cenário mundial não mudou muita coisa. Não precisa ir muito longe, quem não sabe que a Mafalda é argentina não vê problema nenhum com as críticas, já que as mesmas servem perfeitamente para o nosso Brasil-brunil.


É através de Manolito, filho do dono da mercearia, que o capitalismo é posto em pauta e ferrenhamente criticado, utilizando de pano de fundo as várias crises que a Argentina (HA-HA!) já enfrentou. Miguelito, por sua vez, odeia a escola, e é aqui que o sistema educacional e a visão de uma criança da escola é apresentada ao leitor. Susanita é a personagem que Quino utiliza pra demonstrar a futilidade de algumas mulheres da época, que só tinham como plano de vida constituir uma família e viver em função do seu marido (infelizmente isso não continua até hoj...er..). Enfim, cada um dos personagens de Quino tem seu brilho próprio e um grande teor de 'realidade' imprimido nos mesmos. Um show a parte fica por conta de Mafalda, Guile e os Pais, que fazem parte das melhores tirinhas, seja com crítica social ou só demonstrando a inocência cômica de uma criança (o Guile querendo ver TV olhando no buraco da tomada é impagável).


Fechando o livro, está uma tirinha da Mafalda reproduzindo os 3 macacos (aqueles que toooodo emo/patty tem uma foto no orkut com os amiguxos, tapando a boca, olhos e ouvidos), e é exatamente com essa impressão que você fica ao terminar de ler toda a obra e absorver tudo o que te foi jogado na sua cara. É tão agradável, mas tão agradável, que é bem provável que se você faça como eu fiz, e comece a reler logo depois de passar os olhos pela última página.

Hot Fuzz - uma ode ao Cinema de verdade

quinta-feira, 31 de julho de 2008


Você está cansado de ver aqueles filmes de ação para garotinhas, onde a violência real é substituída por seqüências ruins feitas em computador? Sente saudades de personagens realmente legais e não manequins carecas feito o Vin Diesel? Pois aparentemente os produtores de Hot Fuzz (ou Chumbo Grosso, como é conhecido em português) também sentiam falta. Nesse caso estamos falando do diretor Edgar Wright e dos atores Simon Pegg e Nick Frost, que já haviam realizado Shaun of the Dead (ou Todo Mundo Quase Morto, como foi batizado por aqui), um filme que parodiava os filmes de zumbis. Desta vez, eles resolvem parodiar aqueles filmes de ação ruins como Caçadores de Emoção, Bad Boys II, Dirty Harry e Máquina Mortífera, criando o que eles chamaram de um “filme de ação tipicamente britânico”.

O filme conta a história de um policial londrino chamado Nicholas Angel, um dos “melhores no que faz”. Após se esfaqueado por um papai noel (numa ponta do diretor Peter Jackson), seus superiores decidem transferi-lo para uma cidadezinha pacífica do interior, chamada Sandford. O motivo? Angel era tão bom no seu trabalho que fazia seus colegas parecerem incompetentes. Para piorar sua situação, sua namorada (numa outra ponta, agora de Cate Blanchett) ainda decide terminar a relação, já que Nicholas só dá atenção ao seu trabalho. Já transferido para Sandford, surge seu novo parceiro: Danny Butterman, um completo idiota, que está por lá apenas porque seu pai é chefe de polícia. Porém, Nicholas Angel logo irá descobrir que por trás da apática Sandford existem muitos segredos ocultos.

Todo esse enredo é calcado em diversas piadas hilárias. Os diálogos são afiados e todo o filme tem um clima absurdo hilário. Porém, o maior mérito de Hot Fuzz, é que ele não só é uma paródia, mas também um excelente filme de ação, utilizando todos os clichês do gênero em seu benefício (diferente de Showtime por exemplo, que possui o mesmo objetivo, porém fracassa miseravelmente). E parece que os criadores não se esqueceram The Shaun of the Dead, já que o filme possui partes bastante sangrentas, não tendo medinho de censuras altas, como os filmes de hoje em dia.


Ok.

Pode ser que esse review não lhe tenha convencido ainda. Mas existe algo que fará:

IMHO: Malvados

sábado, 26 de julho de 2008




A primeira webcomic que eu li enquanto ainda era uma criança inocente (e li por tabela, enquanto ficava vendo meu primo desbravar a internet com um K6 II) foi Malvados, do André Dahmer. Eu lembro que demorei pra conseguir diferenciar o Malvadinho do Malvadão e não vi muita graça nas piadas que consegui ler enquanto tentava acompanhar a velocidade de leitura do meu primo, que na época eu considerada dinâmica por ele ser 4 anos mais velho que eu.

Ok, você deve estar se perguntando o que diabos esse relato sobre minha primeira vez (ui) e a superioridade do meu primo na época tem a ver com o assunto, não é? É o seguinte, durante a minha viagem eu me deparei com o livro Malvados, lançado pela Desiderata, selo da editora Agir. Me lembrando de todas as vezes que eu revisitei o site depois da minha infância, de todas as tirinhas carregadas de humor ácido, direto, negro e ao mesmo tempo cativante, comprei o bendito livro. Planejei lê-lo somente quando voltasse pra casa, mas já no hotel comecei a folhear algumas páginas enquanto não fazia nada: nas idas ao trono, na rodoviária esperando o ônibus... Quando dei por mim as 112 páginas já tinham ido pro saco, tanto as tirinhas quanto o prefácio, assinado pelo cartunista Nani.

"AE OTÁRIO! GASTOU DINHEIRO COM ALGO QUE TEM DE GRÁTIS NA INTERNET!!111" - Se você pensa assim, pare de ler esse post e vá se afogar no vaso sanitário mais próximo. Além do gostinho de ter algo no papel, que é de boa qualidade, num formato decente e com um preço justo, (R$27,90 no Submarino, vão lá e comprem, seus inúteis!) Malvados oferece mais de 100 páginas lotadas de críticas bem direcionadas, humor inteligente e ao mesmo tempo acessível e uma overdose de sarcasmo e ironia.

A minha única crítica negativa é a falta dos comentários em cima das tiras, que por vezes são mais engraçados que as próprias, mas isso não é o suficiente para impedir que o livro seja uma obra muito divertida de se ler.

IMHO: Praise To The War Machine

terça-feira, 8 de julho de 2008


Praise To The War Machine é o projeto solo do vocalista Warrel Dane (Ex-Sanctuary, atualmente no Nevermore). Eu me interessei por esse álbum quando li que Dane tinha dado uma declaração que não faria sentido lançar um álbum solo com músicas que poderiam ser lançadas no Nevermore, ou seja, que PTTWM viria com coisas novas e que se diferenciaria bastante de Nevermore.

Apesar das influências claras de Nevemore no decorrer do álbum, várias grandes diferenças são notadas, desde influências góticas, mais facilmente notadas na música "Lucretia My Reflection" (cover de Sisters of Mercy), até guitarras pesadas com solos 'velozes e virtuosos', como na música "The Day The Rats Went To War".

Outro grande destaque do CD são as letras, que abordam de maneira crítica temas como perda de fé, depressão e auto-destruição, encorajando todos a verem a vida de uma maneira menos dramática. Também há criticas feitas a guerras e a destruição que elas causam, como o próprio nome do álbum já sugere. Na minha humilde opinião (hã hã.), a melhor música, tanto em melodia quanto em letra, é "Brother", que de acordo com o próprio Warrel Dane tem uma grande importância pessoal, já que ele canta sobre si mesmo e sobre sua relação perturbada com seu próprio irmão.

Nesse álbum Warrel trabalhou com músicos de um calibre fodão, como o guitarrista/baixista Peter Wichers (ex-Soilwork), o guitarrista Matt Wicklund (ex-Himsa) e o baterista Dirk Verbeuren (Soilwork). Se você gosta de Heavy Metal com influências variadas, como progressivo, e um pouco de gótico (sem nada do tipo 'eu tenho que me matar, ai meu Deus como o mundo é triste.), Praise To The War Machine vai ser um daqueles CDs que você coloca pra tocar e repetir sem se enjoar. Agora se você é mais chegado em guitarras pesadas, uma bateria puxada para o Trash Metal e um som mais 'barulhento', eu recomendo que você fique com Nevermore, mas não custa nada dar uma OLSSADINHA no PTTWM, não é?

IMHO: Os Mortos-Vivos

domingo, 6 de julho de 2008

Capa da primeira edição, formato 16,5 x 24cm

O gênero dos Zumbis sempre foi amplamente explorado, seja em games (Zombies Ate My Neighbors, Resident Evil), filmes (Extermínio, Madrugada dos Mortos) e também em HQs. Um dos mais novos lançamentos de quadrinhos nessa área aqui no Brasil é a obra de Robert Kirkman (autor de Battle Pope): Os Mortos-Vivos (The Walking Dead, no original).

Apesar do nome não muito original, logo de cara você já se surpreende com um prefácio te advertindo que, ao contrário do esperado, essa HQ não é sobre zumbis, mas sim sobre a sociedade e a sua reação perante a morte iminente. E de fato é exatamente isso que Os Mortos-Vivos nos traz. O tema é abordado de uma maneira nova, deixando os zumbis como personagens completamente secundários. O grande foco são os relacionamentos estabelecidos entre os sobreviventes, as decisões que são tomadas para garantir a segurança de todos e até mesmo o questionamento sobre os direitos femininos.

Saindo do roteiro e indo para o lado visual, Os Mortos-Vivos surpreende por ser uma HQ em tom cinza, completamente sem cores, o que ajuda na criação do clima de suspense que envolve toda a trama. O traço de Tony Moore encaixa-se de uma maneira extraordinária no clima proposto pra HQ, clima que é mantido por Charlie Adlard do segundo arco de histórias em diante.

Se você gosta de zumbis, pitadas de humor bem colocadas, ação e, por vezes, muitos diálogos (mesmo que nem sempre sejam de qualidade), Os Mortos-Vivos é uma obra obrigatória na sua coleção.